CUF Descobertas Hospital
Surdez nos bebés

Surdez nos bebésA surdez é uma das anomalias congénitas mais frequentes, estando presente em 2 a 4 de cada 1000 recém-nascidos, com diferentes graus de gravidade (de ligeira a profunda ou total).

 

Cerca de 50% dos casos de surdez em bebés é determinada por alterações genéticas transmitidas pelos pais. Nos outros bebés pode estar associada a infecções adquiridas no útero, asfixia ao nascer, prematuridade e baixo peso, meningite, icterícia, certos medicamentos e situações de internamento prolongado à nascença.

 

O rastreio auditivo neonatal, que se pretende universal, é realizado no hospital CUF Descobertas e num número crescente de outros hospitais do país. Metade das crianças com surdez congénita não apresenta factores de risco e só podem ser precocemente identificadas através do rastreio. Este deve ser feito durante o primeiro mês de vida, de forma a confirmar o diagnóstico até aos 3 meses e iniciar a intervenção antes dos 6 meses.

 

A surdez afecta necessariamente o desenvolvimento da linguagem oral numa extensão que depende da sua gravidade. Por isso, deve haver um investimento na linguagem escrita e noutras formas de comunicação como a língua gestual e a leitura orofacial (“leitura dos lábios”). A surdez ligeira pode manifestar-se de forma mais subtil com dificuldade na atenção, dificuldades escolares e problemas de comportamento.

 

Os sinais de alerta para a surdez são a pouca reactividade ao som, a diminuição da frequência do palrar ou da sua entoação depois dos 6 meses, o atraso no desenvolvimento da linguagem, o pedir para repetir (“O quê? Ãh?”), colocar o volume da TV muito alto, ter discurso difícil de entender pelos pais aos 3 anos ou para desconhecidos aos 4. A criança pode ainda entender melhor quando lhe falam de frente (porque faz leitura dos lábios), parecer “distraída” ou que “só ouve o que lhe convém”. Os pais são quem melhor conhece as crianças e as suas suspeitas devem ser sempre levadas a sério.

 

Nos últimos anos, tem havido um grande desenvolvimento de aparelhos auditivos, cuja escolha depende da idade e das características de cada pessoa. São dispositivos que amplificam e processam o som e o transmitem da forma mais conveniente ao nervo auditivo, para que a informação auditiva possa chegar ao cérebro.

 

A família pode recolher informação sobre este problema de diversas fontes e trabalhar em equipa com os técnicos que acompanham a criança para proporcionar a estimulação necessária. Nos primeiros meses estes bebés, como todos os outros, precisam sobretudo de muito afecto e disponibilidade dos cuidadores para a interacção.

 

Estas crianças podem e devem ser integradas em creche ou infantários com os devidos apoios pedagógico-terapêuticos. As crianças com surdez grave ou profunda devem ser encaminhadas para unidades de ensino com experiência nesta área, onde aprenderão língua gestual como primeira língua.

 

Os casos de surdez congénita não são habitualmente reversíveis. No entanto, existe um outro tipo de surdez que é adquirida e está associada às tão faladas otites serosas. Esta forma de surdez é reversível, podendo haver uma recuperação completa com o tratamento adequado.

 

Filipe Glória e Silva

Pediatra do Neurodesenvolvimento, hospital CUF Descobertas 

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